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BO ! (aramaico)

agosto 14, 2012

UM CONTO NÃO SCI-FI E NÃO NAIF



Esse Tempo Insondável...




Por Marco A. de Araújo Bueno



Despedaçada, invadida pelas entranhas; vísceras expostas como caqui despencado ribanceira abaixo. Quase que jazia sobre superfície lajeada, viscosa, eivada de fibras viscosas vermelhas e globulências esbranquiçadas. Ao redor daquele mosaico destroçado, instrumentos pontiagudos de incisão e sondagem perfurantes e ferramentas percussivas em estado de repouso gritante transpiravam ainda ofegantes. Imersos naquela pulsação sinistra dos atos irreversíveis. A marcha wagneriana de fundo enroscou e emitia guinchos agudos de estourar os ouvidos. Um celular reclamando em sons de urgência.

Bêbado, com seu avental branco entreaberto, a genitália exposta à fresta da persiana que prometia mais calor pelo nublado metálico, ele estava confuso e exausto apoiando-se de costas numa geladeira escancarada ainda, o pulso esquerdo latejando de tanto cortar e mexer e perfurar, distendia-se ao longo do corpo exangue enquanto o direito alcançava o aparelho numa torpeza que se dissolvia – dever cumprido – pelos ladrilhos ensebados, escorregadios. Hora de prestar contas e planejar as ações seguintes, meticulosamente, contra o tempo e as expectativas tão desfavoráveis ao feito, atendeu: Alô! “Tânia, demorou! Operação melindrosa, deu trabalho sim, ufa! Ta feito!”

Cambaleou, tomou mais uma talagada e começou a jogar água naquele cenário que o manteve em tensão ótima até então. Ao passar o rodo lembrou-se que a área externa estava imunda e escorregadia também, mas o sol já ofuscava a vista pela porta de vidro toda embaçada. Pegou o celular, tonto, meio em êxtase. Nem precisava ir pro México, regozijou-se. Tamanha perícia, planejamento e muita fé no seu taco. Riu-se e lembrou-se do perito...Mas concentrou-se em limpar os vestígios todos daquela lambança. Depois arranjaria o resto, telefonaria...Teria esquecido algum detalhe?Franziu a testa, e aquela...:

“Tânia, minha tesuda, quase ia esquecendo, aquela sua bermudinha verde-musgo, bota ela que o almoço vai ser na mesa da piscina. Vou ligar pro meu amigo, aquele perito do churrasco do hospital. Virá com a namorada, ela faz a salada. Não disse que dava um ranguinho tropical hoje? Quer saber, antes de tudo vou me dar um choque térmico! É, um mergulhão de avental e tudo, pra cortar esta narcolepsia, essa aura de lagosta e caldeirada que me descalderou todo”, e gargalhou em disparada em direção à porta da área, sem ouvir o mas o caseiro não vinha pra limpar de manhãzinha?

Vinha.Veio, esvaziou a piscina e limpou toda a sujeira de folhagem do temporal da noite. Foi-se em silêncio. Ficou a foice: uma mancha vernelho-esbranquiçada de um metro e noventa, a três metros da porta de vidro esfumaçada; dois metros e meio da superfície escorregadia. Quase um simulacro do prato exposto sobre a bancada da cozinha, naquele instante em que Tânia entrou, sentou-se em posição de lótus e ficou meditando se fratura de crânio com morte cerebral não podia virar, com o tempo, alguma forma alentadora de...narcolepsia, depois de tudo. Qualquer virada; com tempo. Não irreversível!

junho 18, 2012

TWITE HISTÓRICO (Via Luiz Braz)



No forno o livro de contos Sci-fi Portal Expandido Um conto selecionado é meu Segmento Dezenove.Para poucos Haverá 2 lançamentos em Sampa.É.

maio 30, 2012

'NENE' ? TEJO_MINGUANTE








                                                        (Para a Minguante, publicação lisboeta voltada à micronarrativa, este 'deca', fora copidescado ?)


Tejo

Podia nadar, fazer regata. Hoje posso não jogar lixo nene...

Por Marco A. de Araújo Bueno

{O microconto original tinha, como título "Tietê" e terminava com a palavra "nele". Como o mote desta edição era "Fado" achei simpático substituí-lo pelo tão pessoano nome do rio Tejo, "que não passa pela minha aldeia".Mas o que não passou pelo revisor foi "nene"...Também não publicaram na falecida sessão "MICROTEORIAS", congelada há muito, o fragmento teórico da minha tese de doutorado ("Brevidade e Epifania na Micronarrativa Contemporânea") enviado já para edição anterior, e não publicado. Esse lugar de produção teórica da internacional e única revista de micronarrativas, tão prolífico que o desejamos -será que não apostavam mais "nene"? Todavia, confira-se o Fado (sem lapsus aqui; aqui não!) no :www.minguante.com

maio 16, 2012

DECA EM DUAS PARTES - DESERTOR NO DESERTO



                                                     Desenho por Felipe Stefani

 Desertor no Deserto*

Por Marco A. de Araújo Bueno


PARTE I


Doze anos, palestino fronteiriço, dois de treino. Paramentou-se: explosivos, celular...


“Desertor no Deserto” – PARTE II

Ao toque, sacou dispositivo junto. Sucumbiu; deserto. Tel-Aviv/paraíso - Doze km!

*Título: "Desertor no Deserto" (inspirado no filme "Paradise Now", de Any Abu-Assad-2005")
Autor: Marco Antônio de Araújo Bueno

[Comentários de Marco Antônio de Araújo Bueno:

Para a minha Coluna - BREVIDADES - - Microconto de dez palavras dividido em duas partes. Cabe ao leitor, diante das circunstâncias históricas recentes, planejar seu próprio modo de recepção da peça. Para tal, deve programar o distanciamento ideal entre as leituras das respectivas partes (I e II) do microconto e não se deixar iludir, seja pela extensão, seja pelo teor da matéria narrada. Conjecturas avizinhadas são oportunas. ]

abril 19, 2012


9
Expediente materno

Marco Antônio de Araújo Bueno

Ante el temor de que sus hijos se cayeran, forraba los portarretratos.

Marco Antônio de Araújo Bueno (Sao Paulo). Es psicoanalista y autor de cuentos de
ciencia ficción. Ha publicado su tesis doctoral Brevidade e epifania na micronarrativa contemporânea.

Í

[AntologiaAntologia "Fix100" - Peru  latinoamericana de Microficción]

Centro Peruano de Estudios Culturales

abril 03, 2012

DEMOSTEINIZAÇÃO - MICROCONTOS FÁLICOS




                                                     DESENHO POR Felipe Stefani

 Torres, poder e tânatos - Decas fálicos


 Por Marco A. de Araújo Bueno

1. BRODHERS

Demóstenes,com quem andas? Dir-te-ei quem fostes. Fora o privilegiado !




2. BROCHAS 


Parece pêndulo!O Pêndulo de Foucault...Ih, teu pênis refugou !

março 05, 2012

CONTEÚDO INCONTINENTE

 Conteúdo Incontinente

Por Marco A. de Araújo Bueno

[Microconto monofrásico de dez palavras/Deca]

Os morangos, - embevecidos no chantili; eu, - embebido na reforma vocabular.

fevereiro 18, 2012

VALE CARNE - MINHA TERÇA GORDA

                                      MINHA TERÇA GORDA        


Vale Carne


  Para Manoel Bandeira


Por Marco A. de Araújo Bueno


E/OU:
Ê/Ô!
Ó/É?
E/OU.

janeiro 31, 2012

PECADO ORIGINAL - DECAS



                                                         COPINHOS DE CAFÈ MUITOS VIRAM COISA MAIOR (arquivo WEB)


PECADO ORIGINAL[Deca]*


Por Marco A. de Araújo Bueno


Estendeu-me um percal de duzentos fios: - Coma-me! Eu -Como assim?

janeiro 29, 2012

FUNDIDA/VAGA

                               INFINITUM - V.II (Meu)
VAGA – PARTE I

Por Marco A. de Araújo Bueno

Então não se fala mais no assunto e o que fodeu, fundido está. Como? Não compreende, não alcança a mecânica da coisa? Pois bem, sejamos profundos ainda mais, na sujidade dela. Pois ela não tinha balisas, critérios, fosse no que fosse. Um cata vento para os antecedentes, uma irresponsável frente às conseqüências. No início nem sabia do que se tratava, saltava alegrinha no vácuo. Mas sempre houvera quem a ancorasse nalguma gavetelha da moralidade vigente.Acabava por se fundir às versões dela, às ficcionalidades, compreende?

janeiro 10, 2012

BALIZAS


BALIZAS

Por Marco A. de Araújo Bueno

Há distância em teus olhos
De lonjuras tão lilases.
De parecer que os olhos comprimem
Horizontes ao infinito.

De parecer com os versos que fito 
E  que rimam com nada;
Ressoam  ao infinito, distâncias...
Lonjuras comprimidas por lábios de rocha.

Os olhos dizem sim;
Os lábios – nunca .
E o soneto se finda num terceto faltante.


janeiro 03, 2012

SEXTILHA DO DOZE AO DOZE_Dez/Jan/12


                                           MEU DIA UNIVERSAL DA PAZ E HUMOR
POEMAS DE ACETÁBULO -II

 Descansa, celulose arriada,
(Artrite de pós guerra)
Que há ranhuras menos trilhos
Que delírios com eira sem beira
No estertor do sempre que te teve
Entretida em vãos e traços.

dezembro 23, 2011

O LANÇADOR

                              Instagram - Por Rafael Noris
O LANÇADOR


         Pensando em documentário, decerto não vira, mas tento que tento descrever como foi. Trata-se de substância sensível – a bola – com as angulosidades aconchegantes, pidonas de um bom petardo, de peito-do-pé e, é claro, de equivalências disso à ejaculação de um membro viril, calibroso e igualmente teso.
         (Sempre meiocampista, via e batia de longe – cálculos precisos e patadas certeiras – lançamentos ambiciosos; o preto no branco no que fosse da defesa. Engenho e arte quando o time avança e me cabe criar.)
         Agora me cabe criar, por exemplo, preencher lacunas (de memória e outras substâncias sensíveis) com ficção, pois me falta todo tipo de registro outro que não seja este descrever, para fazer virar real. E só vira se fizer valer a memória do pé, suas inflexões de corpo. Calos são documentos e eu tenho um calo-artilheiro .
        (Meiocampinta, era eu quem fazia câimbras no nervo ótico da torcida, torcida de várzea, mas minhas inversões de rumo no campo, da extrema direita à ponta-esquerda, faziam diástoles, prendiam respiração.)
       Para criar tecido narrado aqui, sobre futebol de campo (campo de várzea) farei inversões sim, mas não terei, jamais, atrasado a bola ao gol ou penado a bola, que não é inimiga (‘como o touro numa corrida’), mas, -sobretudo, - é mister, diria o João Cabral que, não obstante não me ter visto em proezas, falamos a língua dos tendões e nervaturas do pé.
       A bolota do calo do pé, por vezes e sempre que solicitada (numa falta, por exemplo) vira a testa que cabeceia sim-senhor, mensura a Lei da Gravidade, opera equivalências newtonianas; faz o diabo.)
      Naquele dia-dos-pais, no colégio onde meninos levavam seus pais a praticar esportes coletivos, eu postei o meu embaixo do travessão e entre os dois paus das traves. Então tomei distância de meio-campo e bati com o calo-artilheiro, calibrado. A bola subiu linhaça e desceu projétil bem na testa do filho-do-mãe do meu filho, que desmaiou-se. Eu o tenho salvo da dor.
         

dezembro 22, 2011

RUIVA - DA SÉRIE DE MICROCONTOS MONOFRÁSICOS 'DECAS AO PONTO'

                           Crédito:Genoma Humano
                           
 RUIVA


                    Por Marco A. de Araújo Bueno




Vi, que vi; tudo tão ligeiro, quando vi - não vi!




[Microconto de dez palavras, publicado no BMM*]




                     Colaboração: Ju Ramasini
                          [em protesto...]

dezembro 19, 2011

A FILA - CONTO LIDO POR F.FICOMENO AL'GOLEN (OUT FLIPORTO)

                                                     Por J.Cocteau

Aos tecnocratelhos CNPq & consoante unicampilantras, como medida preventiva.



http://www.gengibre.com.br/cast/V1704BPB0