julho 05, 2011
junho 28, 2011
FOLHA [MINUETO]
junho 06, 2011
A FILA
junho 01, 2011
HORA E VEZ DA PARDOCA

Hora e Vez da Pardoca
Por Marco A. de Araújo Bueno
Do trivial ao pitoresco e, deste, ao fabuloso, vai um passo, no caso aqui, um vôo; de pássaro. Pássaros sempre foram emblemáticos de algo menos cotidiano que eles. Dinossauros eram pássaros. Tenho voado baixo e curto pela vida e hoje me sinto dinossauro, contemplativo do trivial, herbívoro em apetites. Em processo moroso de extinção, minha presença não comove, não molesta. Não pia. Às vezes, enlouqueço, só.
Quando a viuvez dilata o espaço, uma aposentadoria, também precoce, dilata o tempo e quando a geografia urbana, por sua vez, comprime o habitat de um homem, o dinossauro do vinte e dois vira ornitólogo, menos por diletantismo que por sobrevivência psicológica. Jardinagem que não seria, nem filatelia já que gosto de olhar para o fora, para o vasto possível de se ver do meu apto.22. É de onde me resta ser apto para evitar a tortura do ruído mais escandaloso, o do relógio de pulso. Portanto, como bom meirinho que fui, convoco gentilmente o trinado que resiste em volta de meu engradado. Solicito-lhes o piado, o farfalhar e toda a algazarra polifônica que, outrora, vicejava aqui, que era um grande pomar cheio de árvores seculares e veios d’água, hoje, vingados em esquadrilhas de pernilongos e na umidade que causou minha rinite crônica.
Antes de mais nada, o extinto pomar frondoso vingou-se pelo irritante e monocórdio piado do pardal, cujo estilo taquigráfico passou a predominar sobre o das maritacas, saíras e bem-te-vis, seus muito eventuais coadjuvantes. Não me incomoda na escuta, já seletiva, nem no meu esforço de classificação. Mas criou um caso com a senhora da casinha geminada que, isso sim, exigiu-me intervenção vigorosa e, sobretudo, operou a passagem do pitoresco ao fabuloso, fazendo ressurgir o meirinho em mim.
Estranhei que me procurasse tão cedo naquela manhã:-Ah, é com você mesmo, mineirinho, me salva desse problema que estou tendo com uma pardoca, já que estuda os passarinhos. Tem que ter uma solução, um jeito de espantar pardal que fica piando todo santo dia, justo às sete da manhã! Sabe que antes das nove eu não estou nem pra Jesus Cristo em pessoa, que Deus o tenha, e se essa diaba dessa pardoca me pia fininho, na altura do seu apartamento, às sete, e fica lá repetindo um phíiiii agudo, comprido, aí eu acordo e passo o dia insonada! Claro, respondi corrigindo que eu não era “mineirinho” mas já fui meirinho, e se ela precisava de uma intimação que eu, na condição de oficial de justiça e apenas estendendo a mão pelo gradil da varanda lhe fizesse chegar às patinhas, entregá-la-ia, sem constrangimentos, brinquei. Mas, retrucou a quase centenária senhora - A coisa é muito séria! O que sabe sobre pardais?
-Pois saiba que vivem no Brasil há pouco mais de cem anos. Vieram trazidos da França na virada do século dezenove, no começo da República.
-Não tem cabimento, ora! Pássaros cinzentos de cantar enjoativo, sem graça. Pra quê trazer da Europa com tantas rolinhas, patativas, tucanos que a gente tem de sobra aqui mesmo?
-Por causa disso mesmo, pra evitar que pássaros exóticos afugentassem capital estrangeiro. Idéia do Sr. Rodrigues Alves para atrair investidores cosmopolitas. Os pardais dariam um ar, digamos...parisiense, mais familiar ao Rio de Janeiro da época, é!
-E que tal uma atiradeira, quando a pardoca vem me acordar aqui no fio?
Se ela tomou no pessoal, o pior estaria por vir. Sete e pouco( eu levanto às cinco) um apito de festa de criança me interrompe o estudo. Eu tinha uma teoria sobre os barulhos do edifício: quanto mais ruidosos, maior minha privacidade. Mas o mecanismo do relógio de pulso e pequenas alterações de movimento na casinha geminada que sobreviveu à explosão imobiliária, ah não, eu não suportava ouvir! E quando, dias depois, corri à varanda sobressaltado por um estrondo meio arquejante e meio abafado, como de ave de porte maior, alternando-se com um apito insistente, e me deparei com aquela cena insólita...Difícil descrever a soma de sensações: ela abria e fechava uma sombrinha multicolorida apontada para a pardoca atônita, enquanto trinava o apito infantil e socava o pé numa folha de amianto salpicada de pedregulhos. Ato contínuo, municiei-me da velha Remington, papel timbrado e carbono e carimbo, fiz o cabeçalho de praxe e disparei, na linguagem taquigráfica dos pardais minimalistas: ”Conto pouco/canto mais, aliás/E o que conto não conta/Ou conta pouco aos demais//Canta pouco o piado/pontiagudo dos pardais/Ócio percussionado só/Opiácios sazonais/Mas, desumanos somos/Se nos somamos, quintais?” Assinado - Pardoca.
Semanas depois, a senhora lamuriava-se - A pardoquinha se foi! Será que morreu? Esses passarinhos costumam migrar...
Meus poucos colegas ornitólogos não sentiram minha falta quando troquei nossos encontros bimestrais por alguns saraus. Ou seriam...sarais?
maio 31, 2011
ACABAMENTO - MICRO ou MINI ?
"Acabamento"
Despediu-se em definitivo; pedra em cima, tomou-se de rumo.Voltou apenas para dizer do relativo do gesto, da insuficiência da linguagem e que, sobre a lapidação da pedra, a propósito, mudara de provedor e etc.; ah, também que o etecétera era provisório e que o contrário de "rumo" poderia ser “amor” mas era "omur" mesmo.
maio 27, 2011
OSTRANIÊNIE
{ PREENCHA OS ESPAÇOS ABAIXO COM ESCRITORES }
O ESCRITOR, ESSE ESTRANHO





maio 20, 2011
O PRETO - [CONTO QUE VIROU UM CURTA]
maio 14, 2011
"BREVIDADES AO PONTO"
maio 06, 2011
INDRISO AO AMOR PARENTAL

abril 24, 2011
ROTOSCÓPIO I - [FOCO: GONÇALO TAVARES/2010]
ROTOSCÓPIO I
[Philosophemas]
Por Marco A. de Araújo Bueno
Mas de onde vem esta manhã que, apesar de tudo,
não nos abandona? Somos privilegiados.
O mar é mais catastrófico na televisão
E nos sítios onde felismente não estamos.
A terra treme debaixo dos outros
E o sol mantém uma imoralidade média e
{neutra
Sobre grandes assassinatos (...) *
· Canto V ; 44
· Gonçalo M. Tavares
· “Uma Viagem à Ìndia”
· Editorial Caminho, 2010
março 18, 2011
BEM NO CENTRO DO CENTRAL PARK
ILUSTRAÇÃO - Por Felipe Stefani *BEM NO CENTRO DO CENTRAL PARK
Por Marco A. de Araújo Bueno
Bem no centro do Central Park
Duma cidadezinha provinciana
Eu te interpelaria, assim:
Ei, olhos vesgos:
Saiba que teu magnetismo atroz
Provém desse estrabismo sim !
Que isso vem desde James Dean-
O astro- e, passando pela sestrosa
Atriz de Luz Del Fuego – a Santos
(pós-marqueza, pois sim!) ,
Incendiou o Fidel Castro e,
Inda hoje, enfeitiça a mim ?
E tu, erguendo a lata de energizante:
Well-Welch, vich, poeta do instante,
Dum bardo, o the best!
Te isnpiras uma Readers Digest,
Ou este tédio sem fim
Bem no centro do Central Park ?
fevereiro 16, 2011
PRÓLOGO MAIS
Por Marco A de Araújo Bueno

fevereiro 08, 2011
PRIMEIRO POEMA SENTADO
Por Marco A. de Araújo Bueno

PRIMEIRO POEMA SENTADO
Por Marco Antônio de Araújo Bueno
E quando deito a mão no texto,
Espreguiçando interjeições;
E quando estico os travessões
A incestuar uns meus vocábulos;
E quando tudo se coliga
E se tensiona no espreguiço,
Eu me desato e vou à lona,
Insatisfeito de capricho.
Eu me aboleto à Barcelona,
Em vã desforra minimal
Que, em sua forma de cadeira
(E conteúdos ancestrais)
Em pós-modernas intenções,
Só bem me acolhe se me oprime
As tantas vísceras demais;
Que não derrapem no seu couro.












