maio 20, 2011
O PRETO - [CONTO QUE VIROU UM CURTA]
maio 14, 2011
"BREVIDADES AO PONTO"
maio 06, 2011
INDRISO AO AMOR PARENTAL

abril 24, 2011
ROTOSCÓPIO I - [FOCO: GONÇALO TAVARES/2010]
ROTOSCÓPIO I
[Philosophemas]
Por Marco A. de Araújo Bueno
Mas de onde vem esta manhã que, apesar de tudo,
não nos abandona? Somos privilegiados.
O mar é mais catastrófico na televisão
E nos sítios onde felismente não estamos.
A terra treme debaixo dos outros
E o sol mantém uma imoralidade média e
{neutra
Sobre grandes assassinatos (...) *
· Canto V ; 44
· Gonçalo M. Tavares
· “Uma Viagem à Ìndia”
· Editorial Caminho, 2010
março 18, 2011
BEM NO CENTRO DO CENTRAL PARK
ILUSTRAÇÃO - Por Felipe Stefani *BEM NO CENTRO DO CENTRAL PARK
Por Marco A. de Araújo Bueno
Bem no centro do Central Park
Duma cidadezinha provinciana
Eu te interpelaria, assim:
Ei, olhos vesgos:
Saiba que teu magnetismo atroz
Provém desse estrabismo sim !
Que isso vem desde James Dean-
O astro- e, passando pela sestrosa
Atriz de Luz Del Fuego – a Santos
(pós-marqueza, pois sim!) ,
Incendiou o Fidel Castro e,
Inda hoje, enfeitiça a mim ?
E tu, erguendo a lata de energizante:
Well-Welch, vich, poeta do instante,
Dum bardo, o the best!
Te isnpiras uma Readers Digest,
Ou este tédio sem fim
Bem no centro do Central Park ?
fevereiro 16, 2011
PRÓLOGO MAIS
Por Marco A de Araújo Bueno

fevereiro 08, 2011
PRIMEIRO POEMA SENTADO
Por Marco A. de Araújo Bueno

PRIMEIRO POEMA SENTADO
Por Marco Antônio de Araújo Bueno
E quando deito a mão no texto,
Espreguiçando interjeições;
E quando estico os travessões
A incestuar uns meus vocábulos;
E quando tudo se coliga
E se tensiona no espreguiço,
Eu me desato e vou à lona,
Insatisfeito de capricho.
Eu me aboleto à Barcelona,
Em vã desforra minimal
Que, em sua forma de cadeira
(E conteúdos ancestrais)
Em pós-modernas intenções,
Só bem me acolhe se me oprime
As tantas vísceras demais;
Que não derrapem no seu couro.
fevereiro 04, 2011
FIM DO PROJETO DE FC - CELEBRAÇÃO!
janeiro 23, 2011
NOVEMBRO/3001 - CONTO MATRIZ DA NOVELA HOMÔNIMA (no prelo)
dezembro 30, 2010
SUS-EPIFANIAS l_ MINICONTOS CIRÚRGICOS

SUS-EPIFANIAS - l
Por Marco A. de Araújo Bueno
- Primeiro, examiná-la. Se a clínica falhar, então far-se-á Diagnóstico por Imagens.
- O doutor não é agnóstico? Se a Clínica farseá, só resta rezá. Tenho imagem de S. Bento*.
dezembro 29, 2010
COLETIVO DE CHALEIRA - 1 ANO !
novembro 30, 2010
PASPATU
Por Marco A. de Araújo Bueno
Para R. Magritte
E era uma festa linda, e bonitos
Seres se riam sem gargalhar;
Enterneciam-se de palavras ouvidas
Sem que ruidosas melancolices
Amaldiçoassem, na ira, o lugar.
E nunca olvidando do feltro
Prediluviano no olhar, filtravam
Entre frutas vermelhas,
Absintos mineralizados, cristais
De tâmaras e aves suaves demais,
A vermelhidão, assustada, de estar
Entre tantos demais convivas,
Sem se estilhaçarem, animais.
Animados de alma, não mais
Além de seus contornos-umbrais.
novembro 24, 2010
CAMAFEU
CAMAFEU
Por Marco A. de Araújo Bueno
setembro 22, 2010
TEORIA DA TÉCNICA PSICANALÍTICA NA ‘HISTÓRIA SEM FIM’, DE MICHAEL ENDE
ILUSTRAÇÃO: Alan Carline [BLOGUE DE CHALEIRA]Por Marco Antônio de Araújo Bueno
PARTE I
Há pelo menos uma razão plausível para se falar em fantasia: a de refazer um percurso de concavidade. Pensar, aliás, nessa palavra é quase poder tocá-la... Tocar o côncavo, sensual e distraidamente, eis um exercício de puro Princípio do Prazer.
Há o contato com o próprio livro, contato materialmente erótico, de cheiro de gráfica, de cores discretas e saborosas, de barulhinhos e sonzinhos da primeira cartilha, da infância. O livro vem de dentro do livro (“... ele agora está nas suas mãos...”) e o côncavo se oferece como um figo recém abocanhado. Suculento como um figo, misterioso como uma caverna.
O livro é um brinquedo novo e ocupa muito pouco espaço: ele ocupa o seu próprio espaço de dentro!
Côncavo, caverna, dentro, figo mordido... Há também uma razão mais antipática para se propor uma quebra de encanto, uma “lize” do erótico. Trata-se, é claro, de uma razão acadêmica, exorcisante de prazer, que só faz restaurar o convexo. Puro Princípio de Realidade.
Assim, se a Psicanálise que Lacan reescreve, preciosista, barroco, passa como um feixe intrincado de conceitos complexos (se isso é, por certo, quase que metodológico nele), se o “lacanês” é pedante e chato e auto-centrado e delirantemente complicado, isso só acontece porque há um caso de amor. Não se deixa um objeto de amor em mãos inábeis, sob os olhares pervertidos de uma psicologiazinha do ego norte- americana, sob os carinhos grosseiros de um adaptacionismo pragmático e imbecilizante, no colo da mais ingênua “ilusão” do sujeito.
Não é complicado achar em Lacan a assunção de uma hábil e estratégica forma de sedução. A palavra freudiana o toca como uma flauta mágica. Ele não apenas escuta as notas, ele as nota deslizando... metonimizando-se. Entra floresta adentro na melodia, sabe-se perdido e torna-se perdinte instituindo a “beance”, a falta- carbono da palavra. Ele acredita nessa mística xamânica da palavra, e é pela palavra que nós nos perdemos nele.
Eu o reencontro nesse livro, um livro roubado (“... La Letre Voullé” de Poe), uma história sem fim, como a figura de um pai cristalizado em um subterrâneo dos sonhos esquecidos (o significante primeiro, inadmitido à consciência?), de esfinges que compendem toda a sabedoria e paralisam... pelo olhar.
Como a partir de uma igrejinha dogmática só se avista discursos confirmatórios, os discursos confirmatórios de Lacan estão aí para mostrar que, pior que o puxa-saquismo da ortodoxia, é a chatice da ortodoxia do puxa-saquismo, o que o próprio Lacan já denunciava como o “não estilo”.
O próximo passo poderia ser justificar as justificativas introdutórias. Prefiro, no entanto, sair pelo livro adentro para tentar sugerir uma semelhança: a que se insinua entre o texto (apesar das sinalizações de trânsito que, por questão talvez de segurança, alternam cores de impressão para legitimar ou não a entrada pela fantasia que, afinal, só tem sentido, se for a “minha fantasia”) e o percurso do sujeito no processo da análise.
A análise também tem sua concavidade. Não se pode usá-la a torto e a direito. Uma espécie de imanência. Entra-se numa análise pelo meio e começa-se pelo lado de dentro. Um exemplo de abuso dos recursos e instrumentos da análise, no caso, poder-se-ia se ilustrar com uma inquietação, meio anedótica, meio “lingüistérica”: Por que razões (o inconsciente é feito de palavras) alguém chamado Michael Ende (... Das Ende?!) se põe a escrever uma história sem fim? Algo mais sério poderia ser: porque sinalizar os caminhos em um texto mais próximo a uma Banda de Moëbios, sem lado de dentro, sem lado de fora, sem direito e sem avesso, como o próprio inconsciente em seu estado de sótão (tão só) onde Bastian lê o livro, em seus estado de discurso, de texto?
Tenho a intenção de propor aqui algo menos lúdico que esse patinar por livre- associações. Dentre as quatro consagradas modalidades de crítica psicanalítica ( voltar-se para o autor como na “Gradiva” de Jensen; para o leitor; para o conteúdo ou para a construção formal do texto) escolho a segunda, até para privilegiar ramificações intertextuais. Não perderia o lúdico de vista. A propósito desta visada, é bom que se lembre- Kafka disse algo como (...) um texto deveria chegar ao leitor como a notícia de morte de um ente querido...
A leitura desse texto provocou-me certos lutos e algumas escotomizações, uma das quais insejou-me declinar de categorias tomadas às sociologias e às histórias, tão diacrônicas.
Se cada leitura é uma re-escritura, essa minha reflexão sobre o texto do alemão Ende, há de desejar, em fim, uma certa univocidade, um tanto singular; de espelhos, um silêncio potencializado, quem sabe.
Interessante- a linguagem de Ende é absolutamente pictórica e em “Signes”, Merleau-Ponty conclui: “... As vozes da pintura são as vozes do silêncio...”. Também há um pouco do Borges de “O JARDIM dos Caminhos que se Bifurcam”; intertexto do lado íntimo, côncavo da obra- personagens que se citam de livro para livro do autor. Importa começar pelo meio e entrar pelo lado de dentro. A costura é costura de significantes e o bordado mora no seu avesso.
Bárbara O’Brian escreve também sobre uma viagem psicótica solitária e sobre o caminho de volta. Puseram o livro sob suspeita, afinal, ela ousou voltar e escrevê-lo, algo impensável para uma “esquisofrênica”. Em “Operators and Things”, Bárbara está numa estação de ônibus. As vozes (operadores, entidades persecutórias que desenham uma “grade” em seu cérebro e o manipulam como “coisa”, como nos “milagres” do presidente Schreber) ordenam-lhe que retire sua carteira de identidade da bolsa e a rasgue. Nesse momento, tudo fica escuro e o chão da estação ergue-se em direção a seu rosto. Bárbara passa seis meses viajando de ônibus pelos EUA e, já no final do “raptus” psicótico, sente que pode escrever à máquina sobre sua experiência... “É como se um pouco de praia seca voltasse após um tenebroso período de maré cheia...”
O cartunista de humor negro- Roland Topor- termina seu livro “O Inquilino” operando em seu personagem um duplo salto suicida da janela do prédio. Primeiro como seu duplo (a fantasia- Simone) e depois, alquebrado e sangrando por todo o corpo, como o próprio personagem (representado por Roman Polanski). Algo como não poder morrer por consignação; é preciso voltar da fantasia, nem que seja só para morrer.
Por aí se vê que as associações estão bastante livres e se retomo o indigesto Lacan é por estar intrigado com algumas contingências evocadas pela obra dele. Uma escritora como Hilda Hilst, para quem Deus é “... uma superfície de gelo ancorada no riso...” (segundo uma equação a que chegou um de seus personagens, Amós Keres, matemático) alguém assim, para quem toda a questão é uma questão de religiosidade (a da “Obscena Senhora D”, por exemplo) alguém que sofre as agruras de ver seu texto tido e havido como uma espécie de “tábua etrusca” (sic), tem verdadeira ojeriza ao tom frio, quase que maoísta de Lacan.
Pensando assim, que, de um Lacan autodificultado, não se tira frutos. É uma árvore seca que acaba por esterilizar as livre- associações. Haveria de se tornar, aqui, enquanto instrumento, apenas um breve artesanato de metonímias pluralizáveis, circulares e compulsivas, sem fim? Eis, então, uma história sem final pelos caminhos de uma crítica sem finalidade. História e crítica sem fim.
setembro 12, 2010
ILUSTRAÇÃO PARA ENSAIO PARTES I E II -De Chaleira
Por Alan Carline{Acompanhe o ensaio sobre "A História sem Fim" (Michael Ende)" em 12 e 14/09 no blogue
www.e-chaleira.blogspot.com


