FOTO - Arquivoagosto 31, 2011
AO PROFESSOR 'ESTRADUAL' - EFIPANIA
FOTO - Arquivoagosto 22, 2011
ARTE PONTUAL,VIDA - ATRASADA!
FOTO - Por Ju Ramasiniagosto 18, 2011
AO LEITOR PERIFÉRICO - 'O DIA DUM CÃO"
FOTO: Arquivo pessoal. [Rede]
O DIA DUM CÃO
O cão da arma tensionado reluzindo na testa da moça – falou, morreu! Na saidinha do banco, sol de almoço, desengatilhar demora mais. No qual cantinho de zíper lá dentro estava o cheque de trezentos? Ali, artérias rufavam em pontas de dedo com bastonetes metálicos, canetelhas e chaves mais alicatezinhos com dipirona, abafados por cotonetes e protetores de calçinha – Reia tudo no chão, retardada!
O cão está solto no feirão de seminovos. Parachoques na cor, direção e ar, tunada essa bichinha!E ela pode ser sua hoje mesmo que tu passou no vestibular da unicoisa e tal. Sol de almoço, pensar demora mais. O ronco do acelerador? Quer ver, escuta! Terninho pra foto 3X4, bronze da piscina do clube, cabelo de máquina três. Pensô.. de noite, no esquenta do posto, a vodiquinha trincando, o pinto engomado. E amanhã é sabadão, cabeça!
Mas ela, sobrevivida, trabalhava e tinha pressa. A fera (domingão tem Mônaco, circuito de rua; sol de almoço) só com pressa de arrancar. Faixa de pedestre é que nem servidor que cai – arabescos horizontais, maçaroca de gentes-; sempre tem uma retardada! Sunga por baixo, sonzera de rodeio e o tunado tinindo. Tudo ainda por acontecer num já-acontecido estatístico de gaveta funda. E tu, leitor – não tira o olho dessa bunda!
agosto 02, 2011
TERCETOS - DESPÉTA-LA
A sua erótica, crua
Não se declara; desnuda.
Antes - se em si, - nua.
julho 24, 2011
EXERCÍCIOS DE DECALQUE
FOTO - Ju RamasiniLOBANTUNIENSES I – Exercícios de decalque
Por Marco A. de Araújo Bueno
Tenho antônio no nome também
(o Lobo, agudo; o meu, – circunspecto)
Perdi um carro com selo distintivo belíssimo
(Wolfland)
Suponho aludir ao Território do lobo, e não tenho Antunes no nome, nem antagonismos muito ao contrário, então apraz-me esparramar meu texto como ele faz ao simbiotizar-se com os dele.
Aqui é para contar como brotou duma artéria viária preferencial que atravessei
em perfumado crepúsculo e tomei tremenda porrada lateral , uma moça
O carro era um Logus e calhou que eu não tivesse razão neste sinistro.
Veio a jejuna motorista Carolina e porrou a lateral do carro. Assustei-me, no prenuncio de uma sina revisitada
(é que a parva tomou o breque pelo acelerador)
Faz vinte e três anos, um ancião acompanhado da esposa velhinha cometeu o mesmo desatino de motricidade e porrou um Fiat 147 que eu guiava. Era um velhote turrão que errou igual à jejuna
(que se fazia acompanhar pelo filinho atado ao banco traseiro)
Cicatrizes, cacos de vidro purulência incrustados no rosto, pálpebras. Mais tarde, dada a lei da gravidade e minhas pesadas leituras fiz-me operar das pálpebras empapuçadas
(Pitose, o nome da intervenção cirúrgica que uma médica oriental cometeu)
Deu-se que minhas pálpebras não se fecham a contento seja para dormir seja para banhar-me
- Perdeste o automóvel ?
Sim, perda total e outras perdas de autonomia.
Mais tarde ainda logrei instalar-se em mim uma prótese.
(Acetábu-lo- assim literalizo a grafia do nome do osso cujo o fêmur dardejava)
No quadril: Titânio por fora e cerâmica na concavidade. Cerâmica na bolota do fêmur convexo; conjunto não-cimentado que hoje cuido pra que não quebre, que não me dê nuanças de perda total
(PT; salvação)
O primeiro Logus naufragou nos vales, Valinhos do Adoniran;
O segundo foi porrado na travessa José Lins do Rego.
Acudi a ambos!
A seguradora acudiu-me o carro.
E hoje lendo o quarto livro de crônicas do António Lobo deslizo-me, biônico, com meu andador e sonho com voltar a pedalar pelos vales e jogar futebol
(a evitar caminhos com o nome de grandes escritores)
Pois sim.
julho 19, 2011
PARODIANDO O MICROCONTO '69' DE MARCELINO FREIRE
FOTO - ARQUIVO PESSOAL (Ju Ramasini)XHAMÃ SENTADO EM SUA CADEIRA BARCELONA
julho 05, 2011
junho 28, 2011
FOLHA [MINUETO]
junho 06, 2011
A FILA
junho 01, 2011
HORA E VEZ DA PARDOCA

Hora e Vez da Pardoca
Por Marco A. de Araújo Bueno
Do trivial ao pitoresco e, deste, ao fabuloso, vai um passo, no caso aqui, um vôo; de pássaro. Pássaros sempre foram emblemáticos de algo menos cotidiano que eles. Dinossauros eram pássaros. Tenho voado baixo e curto pela vida e hoje me sinto dinossauro, contemplativo do trivial, herbívoro em apetites. Em processo moroso de extinção, minha presença não comove, não molesta. Não pia. Às vezes, enlouqueço, só.
Quando a viuvez dilata o espaço, uma aposentadoria, também precoce, dilata o tempo e quando a geografia urbana, por sua vez, comprime o habitat de um homem, o dinossauro do vinte e dois vira ornitólogo, menos por diletantismo que por sobrevivência psicológica. Jardinagem que não seria, nem filatelia já que gosto de olhar para o fora, para o vasto possível de se ver do meu apto.22. É de onde me resta ser apto para evitar a tortura do ruído mais escandaloso, o do relógio de pulso. Portanto, como bom meirinho que fui, convoco gentilmente o trinado que resiste em volta de meu engradado. Solicito-lhes o piado, o farfalhar e toda a algazarra polifônica que, outrora, vicejava aqui, que era um grande pomar cheio de árvores seculares e veios d’água, hoje, vingados em esquadrilhas de pernilongos e na umidade que causou minha rinite crônica.
Antes de mais nada, o extinto pomar frondoso vingou-se pelo irritante e monocórdio piado do pardal, cujo estilo taquigráfico passou a predominar sobre o das maritacas, saíras e bem-te-vis, seus muito eventuais coadjuvantes. Não me incomoda na escuta, já seletiva, nem no meu esforço de classificação. Mas criou um caso com a senhora da casinha geminada que, isso sim, exigiu-me intervenção vigorosa e, sobretudo, operou a passagem do pitoresco ao fabuloso, fazendo ressurgir o meirinho em mim.
Estranhei que me procurasse tão cedo naquela manhã:-Ah, é com você mesmo, mineirinho, me salva desse problema que estou tendo com uma pardoca, já que estuda os passarinhos. Tem que ter uma solução, um jeito de espantar pardal que fica piando todo santo dia, justo às sete da manhã! Sabe que antes das nove eu não estou nem pra Jesus Cristo em pessoa, que Deus o tenha, e se essa diaba dessa pardoca me pia fininho, na altura do seu apartamento, às sete, e fica lá repetindo um phíiiii agudo, comprido, aí eu acordo e passo o dia insonada! Claro, respondi corrigindo que eu não era “mineirinho” mas já fui meirinho, e se ela precisava de uma intimação que eu, na condição de oficial de justiça e apenas estendendo a mão pelo gradil da varanda lhe fizesse chegar às patinhas, entregá-la-ia, sem constrangimentos, brinquei. Mas, retrucou a quase centenária senhora - A coisa é muito séria! O que sabe sobre pardais?
-Pois saiba que vivem no Brasil há pouco mais de cem anos. Vieram trazidos da França na virada do século dezenove, no começo da República.
-Não tem cabimento, ora! Pássaros cinzentos de cantar enjoativo, sem graça. Pra quê trazer da Europa com tantas rolinhas, patativas, tucanos que a gente tem de sobra aqui mesmo?
-Por causa disso mesmo, pra evitar que pássaros exóticos afugentassem capital estrangeiro. Idéia do Sr. Rodrigues Alves para atrair investidores cosmopolitas. Os pardais dariam um ar, digamos...parisiense, mais familiar ao Rio de Janeiro da época, é!
-E que tal uma atiradeira, quando a pardoca vem me acordar aqui no fio?
Se ela tomou no pessoal, o pior estaria por vir. Sete e pouco( eu levanto às cinco) um apito de festa de criança me interrompe o estudo. Eu tinha uma teoria sobre os barulhos do edifício: quanto mais ruidosos, maior minha privacidade. Mas o mecanismo do relógio de pulso e pequenas alterações de movimento na casinha geminada que sobreviveu à explosão imobiliária, ah não, eu não suportava ouvir! E quando, dias depois, corri à varanda sobressaltado por um estrondo meio arquejante e meio abafado, como de ave de porte maior, alternando-se com um apito insistente, e me deparei com aquela cena insólita...Difícil descrever a soma de sensações: ela abria e fechava uma sombrinha multicolorida apontada para a pardoca atônita, enquanto trinava o apito infantil e socava o pé numa folha de amianto salpicada de pedregulhos. Ato contínuo, municiei-me da velha Remington, papel timbrado e carbono e carimbo, fiz o cabeçalho de praxe e disparei, na linguagem taquigráfica dos pardais minimalistas: ”Conto pouco/canto mais, aliás/E o que conto não conta/Ou conta pouco aos demais//Canta pouco o piado/pontiagudo dos pardais/Ócio percussionado só/Opiácios sazonais/Mas, desumanos somos/Se nos somamos, quintais?” Assinado - Pardoca.
Semanas depois, a senhora lamuriava-se - A pardoquinha se foi! Será que morreu? Esses passarinhos costumam migrar...
Meus poucos colegas ornitólogos não sentiram minha falta quando troquei nossos encontros bimestrais por alguns saraus. Ou seriam...sarais?
maio 31, 2011
ACABAMENTO - MICRO ou MINI ?
"Acabamento"
Despediu-se em definitivo; pedra em cima, tomou-se de rumo.Voltou apenas para dizer do relativo do gesto, da insuficiência da linguagem e que, sobre a lapidação da pedra, a propósito, mudara de provedor e etc.; ah, também que o etecétera era provisório e que o contrário de "rumo" poderia ser “amor” mas era "omur" mesmo.
maio 27, 2011
OSTRANIÊNIE
{ PREENCHA OS ESPAÇOS ABAIXO COM ESCRITORES }
O ESCRITOR, ESSE ESTRANHO


















