PROSÓDIAS

FACEBOOK

FESTINA LENTE PELO MUNDO

Map

BO ! (aramaico)

julho 27, 2007

O tempo e o verso, agora- meus.

Trecho de “O Enigma da Poesia”, do livro ‘Esse Ofício do Verso”, de Jorge Luis Borges



Penso que a primeira leitura de um poema é a verdadeira, e depois disso que nos iludimos acreditando que a sensação, a impressão, se repete. Mas, como disse, pode ser mera fidelidade, mero truque da memória, mera confusão entre nossa paixão e a paixão que sentimos uma vez. Portanto, pode-se dizer que a poesia é uma experiência nova a cada vez. Cada vez que leio um poema, a experiência acaba ocorrendo. E isso é poesia. (...) Uma vez escrito, esse verso não me serve mais, porque, como já disse, esse verso me veio do Espírito Santo, do subconsciente, ou talvez de algum outro escritor. Muitas vezes descubro que estou apenas citando algo que li tempos atrás, e isto se torna uma redescoberta. Melhor seria, talvez, que os poetas fossem anônimos. (...) Para concluir, trago uma citação de Santo Agostinho que, a meu ver, vem bem a calhar. Disse ele; “O que é o tempo? Se não me perguntam o que é o tempo, eu sei. Se me perguntam o que é, então não sei”. Sinto o mesmo em relação à poesia.

julho 26, 2007

"Breve História do Horror"_microconto 09_Dez palavras

Outrora vinha do céu. Do cosmos.Atualmente está...no ar.

"Trivial Melancolia"_microconto 08_Dez palavras

Ridículo não era o ócio dela,era o pum, gente!

Por Marco Antônio de Araújo Bueno

julho 25, 2007

"Crueza Sutil do Seqëstro"_Microconto 07_07/07/2007_Para ti

“Crueza sutil do seqüestro”



Tamanha precisão ao nomeá-lo...Hoje – servidão: preciso, aflito d’algum eco!

Por Marco Antônio de Araújo Bueno
Microconto 07 (parâmetro: 10 palavras)

julho 04, 2007

"Agenda"_ Oficina-Mote: Depressão, pressão...

“Agenda”


Depressão é a Quarta da semana
Espremida entre uma segunda Terça
E outra Quinta que profana
A sexta em que a precipita.

Vem de pressão em pressão, decaída.
E cai, despenca; rebenta balaio consumido.
Precipitação de um fora para o fundo
Liquefeito na evasão insana. Um Sancho
De Quixote prescindido.

E emenda vazios com vazio não cerzido.
E no frio, respinga ainda suor na agenda,
Comprimindo risco, cuspe e fato
Num garrancho esquartejado.
Compreensão? Coisas da vida? Não!
Depressão é a letra tremida.

junho 23, 2007

"Odisseu" _ Mote: Clichê no cinema

Odisseu

Por Marco Antônio de Araújo Bueno

Ele estava imbuído de um estilo Chacal.
(Confeitos de cânhamo embebidos em mate);
Vestiu rigoroso traje anti-suspeição e o retocou.

Ganhou a rua, solene, dobrou a echarpe; café!
Acenou ao táxi que não parou, seguiu a pé.
Economia de atos, beirava o trivial, rito e rigor.

Transeuntes pelo museu, ele em transe, trivial.
Pés e mãos gelados em pleno local calafetado.

O cânhamo dilatou a escultura do Canhão. Acenou:
"Leve a peça até a moto, lado a lado, comigo, espeto-lhe!"

Na saída, desarmado da caneta Picasso que nada espetou,
Só via o Canhão reposto ao pilar, soar de sirene e camburão.

Em cana, em fim, apenas uma beatitude e cabeça oca.
Suspeitou: há xixi no traje todo; irretocável. E sorriu.
Depois chorou, exausto. Pediu um mate, alguém gargalhou.

junho 21, 2007

"Variações do Desvario"_Micro Conto 04(10 palavras)

"Variações do Desvario"

Marco Antônio de Araújo Bueno


Naquela loucura de vida, enlouqueceu.Marido achou aquilo muito louco.

maio 29, 2007

Alguns dos sites que hospedam textos meus_vide comentários

Recanto das Letras

www.gargantadaserpente.com.br

www.cronopios.com.br

www.minguante.com/n_6/textos.asp?textos=marco_antonio_bueno

http://sonsdesonetos.blogspot.com

http://literar.org

www.escrita.com.br

http://www.jornalorebate.com.br/site/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=101&Itemid=223

maio 15, 2007

"Caso Isolado"_Micro conto 02

“Caso Isolado”

Por Marco Antônio de Araújo Bueno.


Quando arranjou uma moça, na cabeça, foi ter com ela e depois com o corpo dela. Ocuparam-se em mapear um mundo neles. Do impulso ao roteiro e, deste, à rotina até o dia em que perdeu a cabeça e ela o corpo. Uma fatalidade.

maio 02, 2007

"Acabamento"_Micro-conto(53 palavras)

"Acabamento"

Por Marco Antônio de Araújo Bueno

Despediu-se em definitivo; pedra em cima, tomou-se de rumo.Voltou apenas para dizer do relativo do gesto, da insuficiência da linguagem e que, sobre a lapidação da pedra, a propósito, mudara de provedor e etc.; ah, também que o etecétera
era provisório e que o contrário de "rumo" poderia ser "amor" mas era "omur" mesmo.

abril 17, 2007

"Reforma Acróstica": Soneto dos anos 70, formalmente antigo quanto a aspiração que se comemora neste 19 de Abril, dia da REforma Agrária...

“Reformacróstica”

Por Marco Antônio de Araújo Bueno


Rebenta o sol na terra adormecida
Enquanto ainda dormem seus senhores;
Fingindo-se de homem pela vida
Omite a dor num manto de labores.

Rasteja-se no campo qual ferida
(Mais há no campo a cana do que flores)
Até que chegue a hora da comida,
Aguada e fria em perda e sabores.

Graceja e canta, pois que a “vida é bela”,
Rogando aos céus apenas por saúde
Até que a morte o venha, enfim, colher...

Retoma a sua cruz num gesto rude,
Inerte, pois que desconhece ainda
A hora em que nem saberá comer.

março 06, 2007

"A Fila"_ Conto breve(500 palavras)INÉDITO_Para coluna "CO

“A Fila”

Por Marco Antônio de Araújo Bueno

Não lhe causou estranhamento algum quando, já na entrada daquele pátio, topou de cara com a tabuleta bem postada, solene, onde se lia: “A FILA”. Em caixa alta, sem serifas, preto sobre o branco e bem à altura da vista. A lucidez com que se impunha excluía e conclamava a presença de uma crase, isso sim, seria de se estranhar? Ao contrário, era quase uma condição, uma essência mesmo da placa, essa simultaneidade. A caminho, no entanto, lembrou-se ter lido “FUNERÁRIA” onde seria mais crível que, pelo recorte urbano do local, pela vizinhança típica, lá estivesse escrito “FUNILARIA”. Mas este petisco caprichoso, já o reservara ao analista, até por uma questão de comodidade, ou de resistência. Não era o caso desta placa. O máximo que ela permitia era conjecturar se teria faltado um ponto de exclamação ou, algo mais sutil – se, por decoro de se evitar um imperativo grosseiro, autoritário, suprimiram elegantemente um “RESPEITE A FILA!”. E era essa condição que impunha respeito.
Tudo isso lhe infundia uma espécie de esperança vaga, de crença em valores substantivos, de confiança pela confiança; acelerou a marcha e perfilou-se aos demais. Não eram muitos, os demais. Silhuetas discretas, deslocamento proporcional aos espaços sucessivamente desocupados pelo atendimento. Pessoas, como ele, ali, na fila. Dispunha de um dispositivo contra o enfado, conversa mole, mas, sobretudo, contra a timidez incorrigível. Era um livrinho em formato seis por cinco que cabia em qualquer canto de bolso, paginação confortável e à prova de olhares bisbilhoteiros. “Padre Antônio Vieira”, uma antologia...viria a calhar; apalpou e, pela espessura percebeu o engano; era um Hamlet cuja impressão, de tão nítida, dava para ler até nos vagões do metrô e, até por isso, ele o reservara para o crepúsculo.
Decepcionado, enfiou as mãos pelo bolso e resignou-se a sua corporeidade perfilada aos demais. Foi então que se instalou um certo caos no recato daquela espera ordenada. Um homem deixou a fila e, ajeitando pasta e capacete pelos braços aproximou-se, agachou-se e ergueu do chão um retângulo de plástico cinza.- “Esta senha é sua, não?” Sim, era dele, escapou do bolso onde guardava o William Shakespeare das horas crepusculares. – “Melhor ficar esperto pra quando a fila bifurcar”, asseverou, num tom de voz sinistro, em baixo profundo e olhando furtivamente para os lados e para cima, em direção ao começo da fila. – “Obrigado, mas que bifurcação é essa?” Olhou para o edifício à frente, era térreo, não havia razão para olhar para cima.
O caos se instalou por uma razão singela e contra cuja obviedade, a menor inobservância parecia implicar em afronta grave. Tinha alguma relação com as senhas e aceitar que a cor da senha determinasse a bifurcação parecia tão consensual aos demais, que apenas uma leve indagação sobre sua razão de ser, soava como um libelo. E tornava o perfilado um contraventor.
- “A minha, senhor, eu sei que é branca. Quando bifurcar lá na frente eu sei pra onde devo me dirigir. E a sua que eu vi que é cinza vai tomar outro destino. Fica mais atento que ninguém aqui é ingênuo nem palhaço!”.
- “Bom, já que” branco “não é cor, deve ter senha preta também...”.
- “Tem sim senhor, mas ninguém viu cair de bolso nenhum!”.
- “Deve ser porque não tem destino nenhum!”