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BO ! (aramaico)

novembro 28, 2011

ESCRITA À PUTANESCA

                          Não sou Kido, Caco é quem sou!
ESCRITA  À  PUTANESCA

                                      Por Marco A. de Araújo Bueno

          Sou um acadêmico em sabático perpétuo, do nunca-mais-voltar, do cabular refeições de
cantina universitária, patês de editoras que tais e, ah - relatórios e formulários kafkianos. Estou
abjurando meu Curricumlun Lattes, e o faço de público, como intelectual que maqueteia (ser 'r')
ideias e as faz publicar. Ou faz por onde que assim ocorra, porra.
          Me apraz escrever abstracts em galego e usar advérbios como frase, tal como respira o Lobo.
          Me eriça os pelos pubianos estar  à la izquierda de la esquerda em bravatas de condomínio dos
campi e tomar fanta uva onde se brinda com chapinha e fumar cigarrilhas kojac onde se pita maconha
e, o mais relevante - estar em atraso - crave-se deadline, eu furo.
           Sou um psicopata nesses feudos universitários na exata medida em que não introjetei  a norma.
           Me canso fácil  do visual  que mimetiza o clean com tijolinhos do semblante dos Prof.Dres de cara
lavada, nunca escanhoada, muito menos barroca,  como as texturas quentes de suas gesta européias e me
irrita a paraninfernal  idoneidade de referência dos seres de roda-pé.
            Sou um fotógrafo benjaminiano (vide foto) e pertenço à mim e à vala comum, em que não me precipitei...

                                  Photo por mim mesmo (Unicamp)


novembro 22, 2011

FESTINA LENTE APOIA E ASSINA EMBAIXO -

 
  A Literatura não é pra servir, não tem serventia, não a vejo como 'missionária, engajada etc. No entanto, sou um intelectual e tal condição sim, serve à Literatura. Meus leitores que se entendam com isso, afinal, tenho na
Educação meu único modo de inserção acadêmica formal (mestrado, doutorados I e II/Unicamp), quer dizer -
produzo ideias e as publico. Seria conivente com o obscurantismo se não fizesse constar em meu blogue pessoal
este arrazoado (que contextualiza episódios de estudantes na USP, de forma elegante, ponderada, lúcida e com uma acuidade notável) que, diga-se, a FOLHA DE SÃO PAULO NÃO PUBLICOU. E vou além - publiquei uma foto no coletivo De Chaleira que coordeno, por ocasião da posse do atual reitor da USP, o Grandino. Vaticicínio! Com que pompa este 'educador' cercava-se de uma escolta engalanada, pomposa; ridícula! Parabén Pedro Serrano!


* Pedro Serrano
Recentemente, o governador Geraldo Alckmin sugeriu que os estudantes da USP tivessem uma “aula de democracia”. Mas onde está a democracia na Universidade de São Paulo?
A USP já é uma universidade antidemocrática para os milhares de jovens que não conseguem acesso a ela. Na maioria das vezes, somente quem paga por uma escola ou cursinho consegue passar no vestibular para uma universidade pública.
A organização interna da USP, também, não respeita padrões mínimos de democracia. Com um estatuto inalterado desde a década de 70, os conselhos deliberativos da universidade têm participação restrita de estudantes, funcionários e professores. Para eleger o reitor da universidade, por exemplo, menos de 5% da comunidade universitária tem direito a voto, indicando ainda uma lista tríplice a partir da qual o governador do estado escolhe o nome de sua predileção.
João Grandino Rodas, atual reitor da USP, foi escolhido dessa maneira: segundo colocado no processo já antidemocrático de eleição, foi nomeado por José Serra. Por isso, sua gestão não apresenta compromisso com a democracia. Na política de acesso à universidade, a USP continua distante da maioria da população. Na maneira de se organizar internamente, temos visto o uso da força de sobrepor ao diálogo.
É isso que está por trás do que temos visto se passar na USP. A mega-operação policial organizada pela reitoria para desocupar o prédio de sua administração contou com efetivo policial superior ao utilizado na operação do Carandiru em 1992, por exemplo. Assim, a universidade deixa de ser o espaço do debate entre idéias para ser o espaço do conflito e do uso da força.
O próprio problema de segurança pública segue sem resolução. Segundo pesquisa do Datafolha, 57% dos estudantes não se sentem mais seguros na USP com a presença da polícia militar. Isso se deve ao fato de a reitoria ainda não ter tomado medidas básicas para resolver os problemas relacionados à segurança, como o aprimoramento da iluminação no campus e a ampliação da circulação de pessoas dentro dele, abrindo os portões da USP para toda a sociedade.
Todas as grandes universidades do mundo têm uma política própria de segurança para seus campi, respeitando a autonomia universitária. Por que a USP, que tanto se preocupa com sua colocação nos rankings mundiais, não segue esse exemplo? A própria universidade produz uma massa crítica que pode pensar um plano alternativo de segurança para nossos campi. A opção da reitoria, antes de conveniar-se com a PM, deveria ser a de se aliar com essas pessoas.
Frente a essa situação, milhares de estudantes estão se movimentado. Nas últimas semanas, as assembléias e os atos do movimento estudantil contaram com a presença de mais de 3 mil estudantes, que rechaçam a falta de democracia na universidade e a maneira como a atual gestão da reitoria trata a questão da segurança pública na USP. Mais de 50% dos alunos do campus Butantã estão em greve, com grande solidariedade por parte de professores e intelectuais.
O mínimo que o reitor da USP e o governador do estado deveriam fazer nessa situação é dialogar com os manifestantes e atender às suas reivindicações.
Mas não é isso o que vem acontecendo. Por isso, na próxima quinta-feira (24/11), realizaremos um grande ato na Avenida Paulista, com concentração às 14h na Praça Oswaldo Cruz. De lá, sairemos em caminhada até o vão do MASP, onde será realizada uma “Aula de democracia” do movimento estudantil (evento no Facebook). Vamos todos demonstrar que democracia real se faz nas ruas e na mobilização!
Nosso convidado especial já foi escolhido: governador Geraldo Alckmin. Será que ele aceita?
* Pedro Serrano é diretor do DCE da USP e faz parte do Juntos! Escreveu esse texto para o “Tendências e Debates” da Folha de S. Paulo. A Folha, é claro, não publicou



novembro 20, 2011

VERÂNITAS - VERÍSSIMO TEMPO


    A (re) volta do feriadão cívico e físico e quântico-caos






                                           
                                           Diego, amigo, -'Pouca areia pro meu caminhãozinho"



      






                                                    VERÂNITAS -VERÍSSIMO TEMPO

                                                             Por Marco A. de Araújo Bueno

  Ventos fortes ao vento; vento de ventos ao vento, - ancoro-me.







                                                             



     


novembro 18, 2011

CONTO VIRA ROMANCE ? NÃO !

Novembro / 3001*, de Marco Antônio de Araújo Bueno, traz uma linguagem contaminada pelo vocabulário acadêmico, o que torna seu narrador metódico e irônico. Reconheci em seu labirinto narrativo certas imagens de autores célebres como Machado de Assis e Euclides da Cunha. O conto, apesar de curto, é um vasto mosaico distópico e bizarro, no qual cabe quase tudo: pós-humanos, contrabandistas de órgãos, milícias tribais, mortos-vivos, criaturas andróginas, programas de reabilitação etc. O comentário de meu amigo especialista em FC foi: “Esse conto não chega a pertencer à estética cyberpunk, tampouco à new weird, mas está confortavelmente instalado entre ambas.”

Breno J.

* Há um romance homônimo no prelo sim, mas é um romance sci-fi derivado em coesão textual, experimentalismo linguístico (neologismos, como 'Tarefário', p.ex.) e temática (Estranho) da esteira narrativa de oito contos publicados ao longo dos três anos do Projeto Portal, coordenado pelo ficcionista Nelson de Oliveira. É que chegamos a Novembro e a publicação ficará por conta do calendário incasteca.

novembro 08, 2011

MICROTRAUMAS EM CABO CANAVERÃO -AO FRAGMENTÁLIA

Assim, tão logo pude piscar meus olhos e compreender o porquê do grau de afastamento dedos-teclado, fraturei o mata-piolho e o pai-de-todos da direita enquanto a esquerda expulsava,com porradas no teclado, um espy residente e a perlonga (assim mesmo, sem delongas) dinossáurica que me transmitia  
ANGUSTIA DA INFLUÊNCIA DENGOSA

novembro 07, 2011

RMB PARA RMB, PELO ANIVERSÁRIO DESTE

Vivo fosse (faz 15 que morreu), teu avô paterno talvez iniciasse assim uma daquelas gravações em fitas k7: "Hoje , dia sete de Novembro de 2011, Segunda-feira , são precisamente uma hora e onze minutos na Cidade Princesa, temperatura - 21 gruaus, e o ilustre futuro causídico, meu neto, Rodrigo Motta Bueno, completa vinte e três primaveras! Senhoras e senhores, boa noite e, Digão - vou a São Paulo amanhã!". Como um memorialista (gostava de ser chamado assim) assim mesmo, teria consignado o registro de mais um dia na chave da mais pitoresca e testemunhal (de testículos, etimologicamente) História das Mentalidades que urdia da cozinha da casa que construiu no Cambuí ao se casar e, empós, ter-me por filho que viria a gerar o neto causídico etc. Gratíssimo, Jão, pelo presente; parabéns, Rodrigo, eis teu presente!


FOTOS D'OS ARQUIVOS INCRÍVEIS DO JOÃO ANTÔNIO" (o amigão Bürher de Almeida, nasciso no ano da graça de 1957)

novembro 04, 2011

CAMAFEU - CONTO PARA O SARAU DE ENCERRAMENTO OFICINA

CAMAFEU CLÁSSICO DE MARINA VI

Camafeu

Por Marco Antônio de Araújo Bueno


Deixando o restaurante bandejão, lá vinha a Roxana equilibrando mochilinha nas costas, tonelada de xerox na mão esquerda e um saco plástico contendo uma baguete de pão murcho e uma laranja não descascada. Eu acompanhava a cena de um ponto do campus onde, aos trancos, sacolejando, desembestando pela turba, ela trombaria comigo, surpresa, mas agradecida: - “Ah, o cara, meu anjo da guarda, o carinha que deixou a Psico pra entrar pra História!”. Assim me enquadraram quando, alguns anos de formado, consultório claudicante, entrei para o curso de História querendo esquentar um projetinho de mestrado que me levaria a muitos, muitos pontos do campus. A gente conversava papos-cabeça enquanto eu lia seu tronco e membros. Ela achava meu olhar “algo penetrante...” essas conversas sobre Eros e Tânatos, e eu sentia alguma ternura melancólica pela sua libido-algo dispersa- ali distribuída entre os textos pesados para os dezenove da menina e o pão murcho, que pegava por pegar, do jeitinho mesmo como pegava meu membro e enlaçava meu tronco. E nada, nada sabíamos sobre a laranja e o que já significava àquela altura. Tratarei de descascá-la aqui, com um leve arrepio na espinha e muita dificuldade de recordar a fluência com que passeávamos por tantos labirintos simultâneos, com o fio de Ariadne que nos oferecia a nossa condição de “membros”. Proust acreditava que o passado residia nos objetos.
Que a laranja me faça as vezes da “Madeleine” no chá que trouxe toda a infância do escritor, em Combray. E eu os conduzirei pelas andanças de um outro objeto, por corpos, por lugares e por instâncias vertiginosas entre tânatos e o que tínhamos de Eros.
Ela e eu nos sentamos de frente um para o outro com as pernas abertas ao modo de sempre. Entre as dela, duas sedinhas, uma pro “digestivo”, outra para envolver um camafeu microscópico preso à argola de um piercing. “O passado (apontei para o pão), o presente (para o baseado) e. o futuro?” Uuuuu...
Acho que não vai acreditar, falou arrastado, envolvendo a peça insólita com a sedinha e erguendo o polegar esquerdo enfiado até a metade da laranja cuja casca rompeu por cima, sem ferir os gomos. Imagina o que se pode esconder entre estas suculências cítricas, como se cravasse na rocha...e dissolvesse, assim...
Eu perdi a seqüência dos movimentos ao desviar o olhar para o trote nada abstrato das ancas e peitos de Luciana que se aproximava explodindo em sol, transpiração banhada e aromas de cânfora, rangidos de calçados aquáticos e mais a volúpia animada pela convicção de trepar comigo, depois do almoço, como gostava. Era a hora do nosso itinerário pelos recantos preguiçosos do campus pós-prandial, entre laboratórios de Física, abandonados- “Bom, eu já curto endorfinas e coisas parecidas, assim, viagem de pele, sem maldade. O que rola com os de ervas, to trocando por serotonina e toda dopamina da minha lata mesmo, ô caras, sai dessa!”.
“Aceite esta laranja aqui, Luciana, vem, a gente caminha pelo fumódromo e então vai me contando como curte o cara, sem maldade...” Afastaram-se, e eu fiquei vendo quase mudo como uma lentificava a outra, enquanto se dissolvia o enigma da fruta, com um camafeu preso ao piercing metido pelas estranhas. Piercing de língua. A propósito, a Roxane pesquisava línguas nativas de tribos não aculturadas. A tarde passou. Manhã seguinte, depois do intervalo, a notícia corre: morreu de congestão! Comeu carne e foi pra piscina, já era, a gostosona...Uma tragédia, coisa horrível de ver, enrolou a língua, ficou roxa roxa, ta estendida no lava-pé esperando a enfermaria, mas já foi, todo mundo acha, choradeira, que morte estúpida, coisa besta...as amigas querendo nem ver, a fruta no chão... O frio na espinha veio com minha manobra bem sucedida que, num vacilo dos para-médicos, logrou retirar-lhe o piercing da língua e, mais tarde, arremessá-lo ao lago central do fumódromo, na ala sul. Não me perguntem a razão. É muito cedo ainda. Um impulso... de protegê-la, talvez. Até hoje não sei. Nas semanas seguintes, quando a observava de longe, sentada, catatônica, fitando a pouca profundidade do laguinho, na ala sul-oposta à saída do bandejão, ficava sem pensar. Ela, sem textos nem pretexto; sem pão nem laranja. Parecia encantada. E estava.
E eu estaria assim, até agora, se um varredor que me espiava enquanto eu olhava Roxani espiando o lago, se ele não tivesse comentado que ela deu em cima do Jonas, naquela semana em que o funcionário achara uma jóia no laguinho. Devia de ser valorosa, pois se a branquela do lago num tava maluquinha, querendo até pagar o menino!? E o cara, perguntei, ué, pois num sumiu do laboratório, daqui, do mundão? “De primero ele queria avaliar direitinho a coisa, depois voltou pra cá numa sengraceza, falando que devolvia, mas comia ela antes, a moça. Pegaram os dois nuínho na Física, ela enrolava ele com fibra ótica, que ele tava todo marcado. Pois num sumiu objeto... prisma, os avental, umas chave também! E ele também, ué, e ela fica aí olhando pro nada dele”.
Pois agora digo eu- não é que, no dia da laranja estuprada pelo dedão dela enfiado, o normal não teria sido eu ter arrastado a gostosona da Educação Física para o laboratório de Física e , ao modo de sempre, esquadrinhá-la com filetes de fibra ótica! E depois caminharmos, nus sob os jalecos, pelas espirais do Observatório a Olho Nu (às vezes, nem dava tempo de chegar a Lua e outros astros que poderíamos contemplar, luze e lume agora mesmo, Luciana, fosforesce por baixo do tecido branco e arreganha luz no meio do meio da tarde ociosa do campus pisoteando os chapados, as chapadas e as obscuridades todas, chupa agora Luciana, chupa enquanto eu peno as chaves pra despistar esses delitos, chupa a obscuridade de todo conhecer!). Nunca ninguém mais achou o prisma.
Mas...se não acharam nunca mais também o Jonas, quem era eu pra chegar na moça, encantada, e perguntar. Perguntar de quê? Ousaria descobrir como teria reproduzido a minha delirança toda com quem luzia, enquanto ela se enterrava nos próprios gomos a fundo, sem anjo-da-guarda (Ó!) e, agora, tadinha...sem um camafeu?
Uuuuu...